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Fissura mamária: como tratar sem parar de amamentar

Fissuras nos mamilos são dolorosas, mas tratáveis. Descubra por que elas acontecem, quais são os melhores tratamentos — incluindo a laserterapia — e por que parar de amamentar é a pior decisão.

A fissura mamária é uma das maiores causas de sofrimento no início da amamentação. Essas rachaduras dolorosas nos mamilos transformam cada mamada em um momento de dor e angústia, fazendo muitas mães pensarem em desistir. Algumas, inclusive, recebem o conselho de "dar uma pausa" no peito para "deixar cicatrizar".

Mas essa orientação, embora bem-intencionada, pode ser prejudicial. Na maioria dos casos, interromper a amamentação não resolve a fissura — e pode criar novos problemas. Neste artigo, vou explicar por que as fissuras acontecem, como tratá-las de forma eficaz e por que é possível (e desejável) continuar amamentando durante o tratamento.

O que é fissura mamária?

A fissura mamária é uma lesão na pele do mamilo e/ou da aréola. Pode variar de uma pequena rachadura superficial até uma ferida profunda, com sangramento. A dor costuma ser intensa, especialmente no início da mamada, quando o bebê abocanha o mamilo lesionado.

É uma condição extremamente comum: estima-se que até 90% das mães que amamentam experimentem algum grau de dor ou trauma mamilar nas primeiras semanas. Porém, o fato de ser comum não significa que seja inevitável. A fissura quase sempre tem uma causa identificável — e, portanto, uma solução.

Por que a fissura mamária acontece?

1. Pega incorreta — a causa principal

Na grande maioria dos casos, a fissura mamária é consequência direta de uma pega inadequada. Quando o bebê abocanha apenas o mamilo, sem incluir uma porção suficiente da aréola, todo o atrito e pressão da sucção se concentram em uma área muito pequena e sensível da pele.

A pega correta funciona como uma proteção natural: quando o bebê abocanha amplamente a aréola, o mamilo fica posicionado na parte posterior da boca do bebê, onde não sofre atrito. É como a diferença entre calçar um sapato do tamanho certo e um sapato apertado — no primeiro caso, não há bolha; no segundo, a lesão é inevitável.

Sinais de que a pega está causando fissura:

  • Dor que começa no início da mamada e persiste ou piora
  • Mamilo sai da boca do bebê com formato achatado ("formato de batom")
  • Fissura sempre no mesmo ponto do mamilo
  • Estalos durante a sucção

2. Candidíase (infecção fúngica)

A candidíase mamária, causada pelo fungo Candida albicans, pode causar fissuras de difícil cicatrização. Diferente das fissuras por pega incorreta, as causadas por candidíase costumam apresentar mamilos brilhantes, rosados, com queimação que persiste entre as mamadas. O bebê pode ter sinais de sapinho na boca (placas brancas).

3. Uso incorreto de bomba de extração

Bombas de extração de leite com sucção excessiva ou funis de tamanho inadequado podem causar trauma e fissuras nos mamilos. O funil deve ter o tamanho correto para o mamilo — nem apertado demais, nem largo demais.

4. Freio lingual curto do bebê

Quando o bebê tem freio lingual curto (anquiloglossia), a movimentação da língua é limitada, alterando o padrão de sucção. Isso gera atrito excessivo no mamilo e pode causar fissuras recorrentes, mesmo quando o posicionamento parece adequado.

Como tratar a fissura mamária

O tratamento eficaz da fissura mamária envolve duas frentes simultâneas: tratar a lesão e eliminar a causa. Tratar só a ferida sem corrigir o que a provocou é como enxugar o chão sem fechar a torneira.

Laserterapia de baixa intensidade

A laserterapia mamária é hoje uma das opções mais eficazes para o tratamento de fissuras. O laser de baixa intensidade estimula a regeneração celular, reduz a inflamação e alivia a dor — tudo isso sem medicamentos, sem contraindicações e sem necessidade de interromper a amamentação.

Como funciona: a aplicação é rápida (5 a 10 minutos), completamente indolor e pode ser feita no domicílio. Muitas mães relatam alívio significativo já após a primeira sessão. O protocolo geralmente envolve de 3 a 5 sessões, com intervalo de 24 a 48 horas.

Vantagens: indolor, sem efeitos colaterais, compatível com amamentação, resultados rápidos, pode ser combinada com outras terapias.

Correção da pega e posicionamento

Como a pega incorreta é a causa mais comum, a consultoria em amamentação com avaliação e correção da pega é parte fundamental do tratamento. Sem corrigir a causa, a fissura pode até cicatrizar temporariamente, mas voltará a abrir nas próximas mamadas.

Na consulta, a Dra. Lucia observa a mamada ao vivo, identifica o problema específico da pega e orienta os ajustes necessários. Em muitos casos, a combinação de correção da pega + laserterapia resolve a fissura em poucos dias.

Cuidados locais que ajudam

  • Leite materno no mamilo: ao final de cada mamada, passe algumas gotas do seu próprio leite no mamilo e deixe secar ao ar. O leite materno tem propriedades cicatrizantes e antibacterianas naturais
  • Conchas de proteção: usadas entre as mamadas, evitam o atrito do mamilo com a roupa e permitem a circulação de ar
  • Lanolina purificada: pode ser aplicada após a mamada para manter a hidratação. Não precisa ser removida antes de amamentar
  • Compressas de chá de camomila: aplicadas mornas por alguns minutos podem proporcionar alívio do desconforto

O que NÃO fazer

  • NÃO seque os mamilos com secador quente — o calor excessivo pode ressecar a pele e piorar a fissura
  • NÃO use sabonete ou álcool nos mamilos — removem a oleosidade natural da pele e retardam a cicatrização
  • NÃO aplique pomadas antibióticas sem prescrição — podem mascarar infecções e causar resistência bacteriana
  • NÃO use intermediário de silicone sem orientação — pode piorar a pega e reduzir a transferência de leite se usado incorretamente

Por que NÃO interromper a amamentação

Um dos conselhos mais frequentes (e mais equivocados) que mães com fissura recebem é: "Para de amamentar nesse peito para ele cicatrizar." Embora a lógica pareça fazer sentido, essa orientação pode causar mais problemas do que resolver:

  1. Ingurgitamento: parar de esvaziar uma mama leva ao acúmulo de leite, causando ingurgitamento doloroso que pode evoluir para mastite
  2. Redução da produção: a produção de leite funciona por demanda — mama que não é esvaziada produz menos leite
  3. Confusão de bicos: se o bebê receber mamadeira enquanto "descansa" o peito, pode desenvolver preferência pelo fluxo mais fácil da mamadeira
  4. A fissura pode reabrir: sem corrigir a causa (geralmente a pega), a fissura voltará a abrir quando a amamentação for retomada

A melhor estratégia: continuar amamentando, corrigir a pega para evitar novo trauma na lesão, e tratar a fissura com laserterapia e cuidados locais. Se a dor for muito intensa em um dos lados, comece a mamada pelo lado menos afetado (quando o bebê suga com mais força) e depois mude para o lado com fissura.

Como prevenir fissuras mamárias

A prevenção é sempre o melhor caminho. Estas são as medidas mais eficazes para evitar fissuras:

  • Pega correta desde o primeiro dia: buscar ajuda de uma consultora de amamentação nas primeiras horas ou dias de vida do bebê é o investimento mais eficaz
  • Posicionamento adequado: corpo do bebê de frente para a mãe, barriga com barriga, nariz na altura do mamilo
  • Não limitar tempo de mamada: retirar o bebê do peito antes de ele soltar sozinho pode causar lesão pela sucção ativa
  • Para retirar o bebê do peito: introduza o dedo mínimo no canto da boca do bebê para quebrar o vácuo antes de afastá-lo — nunca puxe
  • Evitar sabonetes nos mamilos: lavar apenas com água durante o banho é suficiente
  • Consultoria pré-natal: aprender sobre pega e posicionamento antes do parto reduz significativamente o risco de fissuras

Quando procurar ajuda profissional

Procure uma consultora de amamentação ou profissional de saúde se:

  • A fissura não melhora após 3 a 5 dias de cuidados
  • Há sinais de infecção (pus, vermelhidão intensa, calor local, febre)
  • A dor é tão intensa que você não consegue amamentar
  • A fissura reabre repetidamente após cicatrizar
  • O bebê não está ganhando peso adequadamente
  • Você está pensando em desistir da amamentação por causa da dor

Não precisa sofrer em silêncio. A fissura mamária tem tratamento, e é possível amamentar sem dor. Com a combinação certa de correção da pega e tratamento adequado (como a laserterapia), a grande maioria das fissuras cicatriza em poucos dias, e a amamentação volta a ser um momento prazeroso para mãe e bebê.

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