Furar orelha de bebê: com quantos meses, quem pode fazer e como cuidar
Antes de furar orelha de bebê, veja o que dizem o Coren-SP, a Anvisa e a Academia Americana de Pediatria sobre idade, técnica, brinco e cuidados.
Resposta rápida
Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetraNão há idade mínima fixada em norma para furar orelha de bebê: a Academia Americana de Pediatria considera o risco pequeno em qualquer idade, se o procedimento e os cuidados forem bem feitos. O Coren-SP exige vacinação em dia, com ênfase na hepatite B, material e brinco estéreis. Converse antes com o pediatra.
Em resumo
- Não existe idade mínima única: a decisão é da família, com vacinação em dia e conversa com o pediatra.
- O enfermeiro pode furar a orelha; técnico e auxiliar, só com supervisão de enfermeiro (Parecer Coren-SP 021/2021).
- Pistola e furo humanizado são aceitos pelo Coren-SP, desde que com técnica asséptica e brinco estéril.
- A AAP orienta não retirar o primeiro brinco por 4 a 6 semanas e girá-lo delicadamente todo dia.
- Orelha vermelha ou dolorida pode indicar infecção e pede avaliação médica.
Neste artigo11 tópicos
Com quantos meses, com quem e com qual técnica: são as dúvidas de quem pensa em furar a orelha do bebê. A decisão é da família, e as respostas mais seguras vêm do que o Coren-SP e a Anvisa exigem do procedimento e do que a Academia Americana de Pediatria orienta sobre o cuidado depois do furo. No fim, um checklist para levar na hora de escolher quem vai fazer. A Dra. Lucia Mello, enfermeira (Coren-SP 33946), faz a colocação de brincos em bebês.
Com quantos meses pode furar a orelha do bebê?
Não existe uma idade mínima única fixada em norma. A Academia Americana de Pediatria (AAP), no seu site para famílias, diz que a orelha pode ser furada por motivos estéticos em qualquer idade e que, se o procedimento for feito com cuidado e o local for bem cuidado depois, o risco é pequeno, independentemente da idade da criança.[3] A mesma orientação acrescenta que, como regra geral, pode-se adiar o furo até a criança ter maturidade para cuidar do local sozinha.[3]
No Brasil, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), no Parecer nº 021/2021, coloca uma condição objetiva: a carteira de vacinação da criança deve estar atualizada para a idade, com ênfase na vacina contra hepatite B. No recém-nascido, que recebe BCG e hepatite B logo após o nascimento, o parecer considera importante que essas vacinas sejam feitas antes da perfuração, porque a hepatite B também pode ser transmitida por materiais perfurocortantes.[1]
Na prática, isso deixa a família com uma decisão a tomar, e não com uma regra pronta. Os pontos que costumam pesar são:
- Vacinação em dia para a idade, que é a exigência do parecer.
- Saúde do bebê no dia: bebê com febre, doente ou com alguma lesão na orelha deve esperar.
- Conversa com o pediatra, que conhece a história do bebê e pode ter uma orientação específica para o caso.
- Disponibilidade da família para os cuidados das semanas seguintes.
Se o bebê nasceu prematuro, passou por internação ou tem alguma condição de saúde em acompanhamento, a conversa com o pediatra antes de marcar pesa ainda mais. Não há pressa: o furo pode ser feito em qualquer momento, e esperar algumas semanas não traz prejuízo.
Quem pode furar a orelha do bebê?
O Parecer Coren-SP nº 021/2021 é direto: o enfermeiro pode realizar a perfuração do lóbulo auricular para colocação de brinco. Técnicos e auxiliares de enfermagem também podem, mas apenas sob supervisão de um enfermeiro.[1] O mesmo parecer lembra que o anúncio do serviço por profissional de enfermagem deve trazer nome, número de inscrição no Coren e categoria profissional.[1]
As farmácias também podem furar orelhas, seguindo a Resolução RDC nº 44/2009 da Anvisa. Ela determina que a perfuração seja feita com aparelho específico para esse fim, que use o próprio brinco como material perfurante, e proíbe agulhas de injeção, agulhas de sutura e outros objetos.[2] A resolução também exige brincos e aparelho regularizados na Anvisa, brinco conservado de forma a manter a esterilidade e embalagem aberta só no ambiente da perfuração, na frente do cliente, depois da antissepsia.[2]
A AAP, por sua vez, orienta que o procedimento seja feito por médico, enfermeira ou técnico experiente.[3]
Pistola ou "furo humanizado": qual a diferença?
São duas formas de fazer o furo, e o Coren-SP aceita as duas quando feitas por profissionais de enfermagem com técnica asséptica, material adequado e padronização.
| Aspecto | Aparelho próprio ("pistola") | "Furo humanizado" |
|---|---|---|
| Como é feito | Aparelho específico que usa o próprio brinco para perfurar | Perfuração com jelco ou cateter próprio para furo de orelha |
| Onde é regulamentado | RDC nº 44/2009 da Anvisa, para farmácias | Parecer Coren-SP nº 021/2021, para profissionais de enfermagem |
| Quem pode fazer | Farmácia habilitada ou profissional de enfermagem | Profissional de enfermagem com experiência no material e protocolo |
| Exigência comum | Técnica asséptica, material estéril e brinco estéril | |
Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.
Vale um cuidado com promessas. O parecer descreve o furo humanizado como uma técnica com o objetivo de "supostamente" oferecer uma experiência menos traumática, ou seja, o próprio conselho não afirma que ela dói menos.[1] Desconfie de quem garante procedimento sem dor ou sem choro: o que dá para garantir é técnica cuidadosa, material estéril e orientação clara.
Sobre anestésico tópico, o mesmo parecer explica que o enfermeiro só pode prescrevê-lo quando o uso estiver previsto em protocolo institucional.[1] Se oferecerem pomada anestésica, pergunte quem prescreveu.
Qual brinco usar no primeiro furo?
O primeiro brinco precisa ser estéril. O Coren-SP orienta que, se a família quiser usar um brinco próprio que não esteja esterilizado, o profissional deve recomendar o brinco estéril para o procedimento e explicar que o brinco da família só deve ser colocado quando o furo estiver completamente cicatrizado.[1]
A AAP recomenda inserir, no momento do furo, um brinco de haste de ouro com acabamento arredondado, porque o ouro reduz o risco de reação alérgica e de inflamação no local. Também observa que alguns instrumentos já colocam o brinco ao mesmo tempo em que furam, o que evita manipulação adicional que aumenta a chance de infecção.[3]
Na escolha do modelo, pense no bebê: peças pequenas, sem pingentes e sem pontas são mais fáceis de manter limpas e menos propensas a enroscar em roupas e cobertas.
Como cuidar do furo depois?
Siga sempre as orientações de quem fez o procedimento, de preferência por escrito. Como referência, a AAP orienta:
- Aplicar álcool ou pomada antibiótica no local duas vezes por dia, durante alguns dias, para reduzir a chance de infecção e ajudar a cicatrização.
- Não retirar o brinco por quatro a seis semanas.
- Girar o brinco delicadamente uma vez por dia nesse período.[3]
Além disso, mãos limpas antes de mexer na orelha do bebê e atenção para que o brinco não fique preso em fraldas de pano, toucas ou cobertores ajudam a evitar puxões.
Quer saber como é a colocação de brincos com a Dra. Lucia?
Enfermeira com registro no Coren-SP. Técnica, local e agendamento são combinados pelo WhatsApp.
Perguntar sobre brincosQuais sinais indicam infecção?
A AAP é objetiva: se o local do furo ficar vermelho ou dolorido ao toque, pode estar começando uma infecção, e a criança deve receber atendimento médico prontamente.[3]
Quando procurar atendimento médico
Procure o pediatra se a orelha ficar vermelha, inchada, quente ou dolorida, se sair secreção do furo ou se o bebê tiver febre. Se aparecer algum desses sinais, não use pomadas ou outros produtos por conta própria: quem avalia a orelha é quem define o tratamento.
Checklist: o que perguntar antes de agendar?
Com base no parecer do Coren-SP e na resolução da Anvisa, estas perguntas ajudam a avaliar qualquer profissional ou estabelecimento:
- Quem vai fazer o furo é enfermeiro, com número de inscrição no Coren? Se for técnico ou auxiliar, há enfermeiro supervisionando?
- Qual técnica será usada, aparelho próprio ou cateter, e por quê?
- O material e o brinco são estéreis, e a embalagem será aberta na minha frente?
- Como será feita a antissepsia da orelha e das mãos?
- Vou receber as orientações de cuidado por escrito?
- O que devo fazer e a quem devo avisar se a orelha ficar vermelha ou com secreção?
- A carteira de vacinação do bebê precisa ser apresentada?
Leve a caderneta de vacinação no dia, mesmo que ninguém peça. Ela é a forma mais simples de confirmar o que o parecer exige.
Como preparar o dia do furo?
Alguns cuidados simples deixam o momento mais tranquilo para o bebê e para a família:
- Escolha um horário sem pressa, longe de vacinas, viagens ou outros compromissos do dia.
- Prefira um momento em que o bebê esteja bem, sem febre, sem resfriado e sem irritação na pele da orelha.
- Vista o bebê com roupa que deixe as orelhas livres, sem capuz ou gola alta, e evite toucas apertadas nos primeiros dias.
- Tenha dois adultos presentes, um para acolher o bebê no colo e outro para conversar com a profissional e anotar as orientações.
- Confira a marcação antes do furo. Olhe as duas orelhas de frente e de lado e só aprove quando a posição estiver simétrica para você.
- Separe a caderneta de vacinação e o contato do pediatra.
Depois do furo, ofereça colo e, se o bebê mamar no peito, a mamada. Antes de ir embora, confirme quais sinais observar nos dias seguintes e em quais situações procurar o pediatra.
Como é a colocação de brincos com a Dra. Lucia Mello?
A Dra. Lucia Mello é enfermeira obstetra (Coren-SP 33946) e faz a colocação de brincos em bebês.
Para marcar, chame a Dra. Lucia no WhatsApp (11) 96425-7905. Na conversa, vocês combinam a técnica, o tipo de brinco, o local do atendimento e o valor. Se a família já está em acompanhamento de amamentação com ela, dá para tratar dos brincos na mesma conversa.
Antes de confirmar, anote as dúvidas sobre idade, peso, anestésico, esterilização e cuidados posteriores. Assim, a família recebe as informações específicas do procedimento e decide com clareza.
Furar a orelha atrapalha a amamentação?
Não encontramos estudo que relacione o furo de orelha a dificuldades de amamentação. O que se recomenda, por bom senso, é escolher um momento em que o bebê esteja bem, alimentado e tranquilo, e oferecer o peito logo depois, se ele quiser. O Ministério da Saúde lembra que, na maioria das vezes, os bebês se acalmam quando são aconchegados ou colocados no peito.[4] Se a amamentação está difícil por outros motivos, como dor ou bebê que não pega o peito, vale resolver isso primeiro, porque é o que mais pesa na rotina da família nas primeiras semanas.
Se esta é a sua primeira experiência com um recém-nascido, o guia de amamentação para mãe de primeira viagem reúne o essencial dos primeiros dias. Para conhecer a formação e a trajetória da Dra. Lucia, veja a página sobre.
Perguntas frequentes
Enfermeira pode furar a orelha do bebê?
Sim. O Parecer Coren-SP nº 021/2021 conclui que o enfermeiro pode realizar a perfuração do lóbulo auricular para colocação de brinco.
Precisa tomar vacina antes de furar a orelha?
O Coren-SP orienta que a carteira de vacinação esteja atualizada para a idade, com ênfase na hepatite B. No recém-nascido, BCG e hepatite B devem ser aplicadas antes da perfuração.
Posso usar o brinco da família no primeiro furo?
O primeiro brinco deve ser estéril. O brinco da família pode ser colocado depois que o furo estiver completamente cicatrizado.
Quanto tempo o primeiro brinco deve ficar na orelha?
A Academia Americana de Pediatria orienta não retirar o brinco por quatro a seis semanas, girando-o delicadamente todos os dias.
A Dra. Lucia Mello coloca brincos em bebês?
Sim, ela é enfermeira (Coren-SP 33946) e faz a colocação de brincos em bebês. Técnica, local e valor são combinados pelo WhatsApp (11) 96425-7905.
Quer agendar a colocação de brincos?
Fale com a Dra. Lucia Mello pelo WhatsApp e leve a caderneta de vacinação do bebê.
Falar com a Dra. LuciaGlossário
- Lóbulo auricular
- Parte mais baixa da orelha, formada por pele, gordura e músculo, sem cartilagem; é onde se coloca o brinco.
- Furo humanizado
- Nome dado à perfuração do lóbulo com jelco ou cateter próprio para furo de orelha, feita por profissional de enfermagem.
- Técnica asséptica
- Conjunto de cuidados que impede a entrada de micro-organismos durante um procedimento, com material estéril e antissepsia.
- Antissepsia
- Limpeza da pele e das mãos com produto que reduz os micro-organismos antes de um procedimento.
Referências
- Coren-SP. Parecer nº 021/2021: perfuração de lóbulo auricular e body piercing por profissional da enfermagemEnfermeiro pode furar; técnico e auxiliar sob supervisão; pistola ou furo humanizado com técnica asséptica; brinco estéril; vacinação em dia com ênfase na hepatite B; anestésico tópico só em protocolo institucional.
- Anvisa. Resolução RDC nº 44, de 17 de agosto de 2009 (arts. 78 a 80)Em farmácias, perfuração com aparelho específico que usa o brinco como material perfurante; agulhas proibidas; brinco estéril aberto na frente do usuário.
- American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org). Avoiding Infection After Ear Piercing (atualizado em 09/06/2023)Furo em qualquer idade com pouco risco se bem feito; médico, enfermeira ou técnico experiente; haste de ouro; álcool ou pomada antibiótica 2 vezes ao dia; não retirar por 4 a 6 semanas; vermelhidão ou dor pedem atendimento médico.
- Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 23: aleitamento materno e alimentação complementar (2015)Na maioria das vezes os bebês se acalmam se aconchegados ou colocados no peito.
Quem escreveu
Dra. Lucia Mello
Enfermeira obstetra · Coren-SP 33946
Dra. Lucia Mello é enfermeira obstetra (Coren-SP 33946), formada pela Unifesp, com mais de 20 anos de experiência e passagens pelo Hospital Albert Einstein e pela Pro Matre Paulista. Atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo e online para todo o Brasil. Conheça a Dra. Lucia.
Publicado em .
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com o seu médico ou pediatra.