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Amamentação9 min de leitura

Mamilo invertido ou plano: dá para amamentar? O que fazer da gestação aos primeiros dias

Mamilo invertido, plano ou curto: como identificar, por que não preparar o mamilo na gravidez e quais manobras ajudam a pega depois do parto.

Foto da Dra. Lucia Mello

Resposta rápida

Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra

Dá para amamentar com mamilo invertido ou plano: ele pode dificultar o início, mas raramente impede, porque o bebê forma o bico com a aréola. Não prepare o mamilo na gravidez. Depois do parto, mantenha a aréola macia, teste posições e use manobras suaves, com ajuda profissional logo nas primeiras mamadas.

Em resumo
  • Mamilo plano ou invertido dificulta o começo, mas não necessariamente impede a amamentação (Ministério da Saúde).
  • Só cerca de 0,5% das mulheres têm mamilo invertido, segundo a SBP; o teste de pressionar a aréola tira a dúvida.
  • Esticar o mamilo, usar bucha ou conchas na gravidez não é recomendado e pode ser prejudicial.
  • Depois do parto, ajudam aréola macia, testar posições, estímulo, compressa fria e sucção suave com seringa adaptada.
  • Ajuda profissional logo após o nascimento é o que mais faz diferença.
Neste artigo10 tópicos

Descobrir que tem mamilo invertido ou plano costuma vir junto com um medo: será que vou conseguir amamentar? Na grande maioria dos casos, sim. O bebê não mama o bico, mama a mama, e a aréola macia ajuda a formar a pega. O que faz diferença é saber o que não precisa ser feito na gestação e ter ajuda prática logo depois do parto, quando as primeiras mamadas acontecem. Este guia reúne o que orientam o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academy of Breastfeeding Medicine.

Dá para amamentar com mamilo invertido?

Dá. O Ministério da Saúde, no Caderno de Atenção Básica nº 23, explica que mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas não necessariamente a impedem, porque o bebê faz o "bico" com a aréola.[1] A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) segue na mesma linha: é possível amamentar, com o apoio de um profissional de saúde habilitado em amamentação, e o mais importante é saber ajudar o bebê a fazer uma boa pega.[2]

A SBP também traz uma informação que tranquiliza: apenas cerca de 0,5% das mulheres têm mamilo invertido.[2] Por isso, antes de concluir que o seu mamilo é invertido, vale fazer o teste descrito mais abaixo: ele mostra se o mamilo se retrai ou não.

Qual a diferença entre mamilo plano, curto e invertido?

  • Mamilo plano: fica no mesmo nível da aréola, sem se destacar muito, mas se projeta quando é estimulado.
  • Mamilo curto: se projeta pouco, mesmo com estímulo.
  • Mamilo invertido: fica voltado para dentro e, quando a aréola é pressionada, se retrai em vez de sair.

Nos três casos, o ponto de partida é parecido: aréola macia, posição que favoreça a pega e paciência nos primeiros dias. Na dúvida sobre qual é o seu, faça o teste logo abaixo.

Como fazer o teste em casa?

O Caderno de Atenção Básica descreve um teste simples: pressione a aréola entre o polegar e o dedo indicador, um pouco atrás do mamilo. Se o mamilo se retrair, ele é invertido. Se não se retrair, não é mamilo invertido, mesmo que pareça plano em repouso.[1]

Faça o teste com delicadeza e sem insistir. Ele serve para entender o seu caso, e não para "treinar" o mamilo.

Precisa preparar o mamilo na gravidez?

Não, e algumas preparações podem atrapalhar. O Ministério da Saúde afirma que a preparação das mamas tão difundida no passado não é recomendada de rotina e que a gravidez se encarrega disso. Esticar os mamilos com os dedos e esfregá-los com buchas ou toalhas ásperas não são recomendados, porque na maioria das vezes não funcionam, podem ser prejudiciais e podem até induzir o trabalho de parto. Conchas e sutiãs com orifício central para alongar os mamilos também não são eficazes.[1]

O mesmo documento traz duas boas notícias: a maioria dos mamilos curtos melhora com o avançar da gravidez, sem tratamento, e o grau de inversão dos mamilos invertidos tende a diminuir em gestações seguintes. A conclusão do texto é clara: em mulheres com mamilos planos ou invertidos, a intervenção logo após o nascimento é mais importante e efetiva do que intervenções no pré-natal.[1]

A Academy of Breastfeeding Medicine (ABM), na revisão de 2024 do seu protocolo sobre o pré-natal, recomenda que o exame das mamas na gestação avalie mamilos planos ou invertidos e que se evite a preparação do mamilo, considerada uma intervenção sem base em evidências e potencialmente prejudicial.[3]

Dica prática

O que a gestação pede não é exercício no mamilo, e sim planejamento: saber quem vai ajudar você nas primeiras mamadas, na maternidade e em casa.

O que fazer nos primeiros dias depois do parto?

O Caderno de Atenção Básica nº 23 diz que, para uma mãe com mamilos planos ou invertidos amamentar com sucesso, é fundamental receber ajuda logo após o nascimento do bebê.[1] Essa ajuda inclui:

  1. Confiança: com paciência e perseverança, a dificuldade costuma ser superada, e a própria sucção do bebê deixa os mamilos mais propícios à amamentação.
  2. Ajuda na pega: a mãe pode precisar de apoio para que o bebê abocanhe o mamilo e parte da aréola, e é muito importante que a aréola esteja macia.
  3. Testar posições: experimentar diferentes posições até encontrar aquela em que mãe e bebê se adaptam melhor.
  4. Manobras antes das mamadas para projetar o mamilo, como estímulo com toque, compressas frias e sucção com bomba manual ou com seringa adaptada.
  5. Ordenha enquanto o bebê não suga bem: tirar o leite ajuda a manter a produção e deixa a mama macia, o que facilita a pega. O leite ordenhado deve ser oferecido de preferência no copinho.[1]

Como funciona a técnica da seringa?

O Ministério da Saúde descreve o uso de uma seringa de 10 ou 20 mL adaptada: ela é cortada para eliminar a saída estreita, e o êmbolo é inserido pela extremidade cortada. A parte aberta é encostada no mamilo e o êmbolo é puxado devagar, criando uma sucção suave.[1]

  • O mamilo fica em sucção por 30 a 60 segundos, ou menos se houver desconforto.[1]
  • A sucção não deve ser vigorosa, para não causar dor nem machucar o mamilo.
  • Pode ser feita antes das mamadas e, se a mãe quiser, nos intervalos.

Peça para um profissional mostrar a técnica pessoalmente na primeira vez. A diferença entre uma sucção suave e uma que machuca é pequena, e é mais fácil aprender vendo.

Quais posições costumam ajudar?

Não existe posição obrigatória. O Ministério da Saúde orienta testar diferentes posições até encontrar aquela em que mãe e bebê se adaptam melhor.[1] Na prática, vale observar em qual delas você enxerga bem a aréola e consegue aproximar o bebê com calma, sem pressa para a pega. Veja as opções, com vantagens de cada uma, no guia de posições para amamentar.

O que muda quando o leite desce e a mama enche?

Entre o terceiro e o quinto dia depois do parto, muitas mães sentem as mamas bem mais cheias. O Ministério da Saúde explica que, no ingurgitamento, os mamilos ficam achatados, o que dificulta a pega, e o leite muitas vezes não flui com facilidade.[1] Para quem já tem mamilo plano ou invertido, esse é o momento em que a pega pode ficar mais difícil justamente quando parecia estar dando certo.

O que ajuda é amolecer a região da aréola antes de oferecer o peito:

  • Retirar um pouco de leite antes da mamada, só o suficiente para a aréola ficar macia. A SBP orienta, quando a mama está muito cheia, uma leve massagem e a expressão manual do leite antes de oferecer o peito.[2]
  • Pressão suave em volta da aréola. A Academy of Breastfeeding Medicine cita a técnica de amolecimento da aréola por pressão reversa e a retirada de pequenos volumes de leite antes de colocar o bebê no peito, para facilitar a transferência.[4]
  • Frio para alívio entre as mamadas, que a mesma academia considera para conforto.[4]

O objetivo é tirar pouco, e não esvaziar a mama. Tirar leite demais estimula a produção e pode deixar a mama ainda mais cheia nas horas seguintes. Se a mama estiver muito dura, vermelha ou dolorida, peça ajuda para avaliar a mamada.

Quer ajuda com isso em casa?

A Dra. Lucia atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo, e online para todo o Brasil.

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Mamilo plano, curto ou invertido: o que costuma ajudar em cada caso?

SituaçãoO que costuma ajudarPonto de atenção
Mamilo planoEstímulo com toque antes da mamada, aréola macia, posição que dê controle à mãeMama muito cheia achata o mamilo: tirar um pouco de leite antes ajuda
Mamilo curtoMesmas medidas, com atenção à profundidade da pegaA maioria melhora durante a gestação, sem tratamento
Mamilo invertidoManobras de projeção antes das mamadas (seringa adaptada, bomba manual, compressa fria) e ajuda na pegaSucção suave, por 30 a 60 segundos, sem dor
Bebê ainda sem pega eficazOrdenha para manter a produção e oferta no copinhoAcompanhar fraldas e peso com o pediatra

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E o bico de silicone?

O bico de silicone (protetor de mamilo) às vezes é sugerido para mamilo plano ou invertido. Ele pode ter lugar em casos selecionados, mas é um recurso pontual, que precisa de indicação, acompanhamento do ganho de peso e um plano de retirada. O Ministério da Saúde inclui os protetores de mamilo entre os fatores que podem levar ao esvaziamento inadequado das mamas.[1] Antes de recorrer a ele, vale tentar as manobras e as posições descritas acima com ajuda profissional. Os prós, contras e o passo a passo para tirar estão no guia sobre bico de silicone na amamentação.

Como saber se o bebê está conseguindo mamar?

Nos primeiros dias, o que mostra se a pega está funcionando não é o formato do mamilo, e sim o bebê: sucção com pausas para engolir, fraldas molhadas e sujas em quantidade esperada para a idade e peso acompanhado pelo pediatra. Explicamos esses sinais, dia a dia, no artigo sobre como saber se o bebê está mamando o suficiente.

Quando procurar atendimento médico

Procure o pediatra no mesmo dia se o bebê estiver muito sonolento e não acordar para mamar, molhar poucas fraldas ou parecer amarelado.[5] Se o mamilo machucar, sangrar ou doer durante toda a mamada, peça ajuda para rever a pega antes que a lesão aumente.

Como a consultoria ajuda quem tem mamilo invertido ou plano?

Como o Ministério da Saúde reforça, o momento que mais conta é logo depois do nascimento. A Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra (Coren-SP 33946), atua nas duas pontas:

  • Na gestação, a partir de 28 semanas, a consulta pré-natal é o momento de conversar sobre o formato do mamilo, desfazer mitos e planejar as primeiras mamadas.
  • Depois do parto, na consulta domiciliar, ela observa uma mamada, corrige pega e posicionamento e orienta as manobras e a ordenha quando necessárias, no lugar onde você vai amamentar todos os dias.

Se houver fissura, a laserterapia de baixa intensidade pode ser indicada na avaliação, como recurso complementar.

Perguntas frequentes

Quem tem mamilo invertido consegue amamentar?

Na maioria dos casos, sim. O mamilo invertido pode dificultar o começo, mas o bebê forma o bico com a aréola, principalmente com ajuda na pega nos primeiros dias.

Como saber se o mamilo é invertido?

Pressione a aréola entre o polegar e o indicador, um pouco atrás do mamilo. Se ele se retrair, é invertido; se não se retrair, não é.

Devo fazer exercícios no mamilo durante a gravidez?

Não. O Ministério da Saúde não recomenda esticar o mamilo nem esfregar com bucha, e conchas para alongar não são eficazes.

Bico de silicone resolve mamilo invertido?

Pode ajudar em casos selecionados, mas é um recurso temporário que exige acompanhamento do peso do bebê e plano de retirada. Antes dele, vale tentar manobras e posições com ajuda profissional.

Medo de não conseguir amamentar com mamilo plano ou invertido?

A Dra. Lucia faz consulta pré-natal a partir de 28 semanas e visita domiciliar depois do parto, para ajudar nas primeiras mamadas.

Falar com a Dra. Lucia

Glossário

Mamilo invertido
Mamilo que se retrai para dentro quando a aréola é pressionada entre o polegar e o indicador.
Mamilo plano
Mamilo que fica no nível da aréola, mas se projeta com estímulo.
Aréola
Área mais escura em volta do mamilo; na pega adequada, boa parte dela fica dentro da boca do bebê.
Seringa adaptada
Seringa de 10 ou 20 mL cortada na ponta, com o êmbolo invertido, usada para projetar o mamilo com sucção suave.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 23: aleitamento materno e alimentação complementar (2015), itens 8.1 e 9.3Mamilos planos ou invertidos não necessariamente impedem; teste de pressionar a aréola; preparação das mamas não recomendada; manobras com seringa de 10 ou 20 mL por 30 a 60 segundos; ordenha e copinho; protetores entre as causas de esvaziamento inadequado.
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Problemas mais frequentes com as mamas (setembro de 2024)Apenas 0,5% das mulheres têm mamilo invertido; é possível amamentar com apoio de profissional habilitado; mama muito cheia: leve massagem e expressão manual antes de oferecer.
  3. Academy of Breastfeeding Medicine. Protocolo Clínico nº 19: promoção do aleitamento materno no período pré-natal (revisão 2024, versão em português)Exame pré-natal para avaliar mamilos planos ou invertidos; evitar a preparação do mamilo, intervenção sem base em evidências e potencialmente prejudicial.
  4. Academy of Breastfeeding Medicine. Protocolo Clínico nº 36: o espectro da mastite (2022, versão em português)Amolecimento da aréola por pressão reversa e retirada de pequenos volumes antes de colocar o bebê; gelo para alívio; aumento da remoção de leite aumenta a produção, e ordenhar para esvaziar perpetua o excesso.
  5. Cambridge University Hospitals NHS. Signs your baby is getting enough milkProcurar ajuda se o bebê estiver difícil de acordar, amarelado ou com poucas fraldas.
Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra

Quem escreveu

Dra. Lucia Mello

Enfermeira obstetra · Coren-SP 33946

Dra. Lucia Mello é enfermeira obstetra (Coren-SP 33946), formada pela Unifesp, com mais de 20 anos de experiência e passagens pelo Hospital Albert Einstein e pela Pro Matre Paulista. Atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo e online para todo o Brasil. Conheça a Dra. Lucia.

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Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com o seu médico ou pediatra.