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Extração de leite10 min de leitura

Ordenha manual: como tirar leite materno com a mão, passo a passo

Ordenha manual sem bomba e sem tomada: a técnica do Ministério da Saúde, os erros que mais atrapalham e os prazos para guardar o leite no Brasil.

Foto da Dra. Lucia Mello

Resposta rápida

Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra

Na ordenha manual, massageie a mama com delicadeza, incline o tronco, coloque o polegar acima e o indicador abaixo do mamilo, na borda da aréola, e pressione e solte em direção ao tórax, sem dor. Despreze os primeiros jatos e gire os dedos. No Brasil, o leite cru dura 12 horas na geladeira.

Em resumo
  • A ordenha manual dispensa bomba e tomada e, nos primeiros dias, pode render mais que a bomba (ABM).
  • Dedos em C na aréola, pressionar e soltar em direção ao tórax; a manobra não deve doer.
  • Leva de 20 a 30 minutos por mama, principalmente nos primeiros dias.
  • Segundo o Ministério da Saúde, o leite cru dura 12 horas na geladeira e 15 dias no freezer.
  • Ofereça o leite de preferência no copinho, sem despejar na boca do bebê.
Neste artigo10 tópicos

A ordenha manual é a forma de tirar leite materno usando só as mãos, sem bomba e sem energia elétrica. Ela serve para montar estoque, aliviar uma mama muito cheia, manter a produção quando o bebê ainda não mama bem e até para os primeiros dias depois do parto. Este passo a passo segue a técnica descrita pelo Ministério da Saúde e explica como guardar e oferecer o leite com segurança.

O que separar antes de começar?

O Ministério da Saúde orienta alguns cuidados de higiene, pensados para que o leite não seja contaminado:

  • Frasco de vidro esterilizado, de preferência de boca larga e com tampa plástica que aguente fervura. A orientação é ferver frasco e tampa por cerca de 20 minutos.
  • Cabelo preso, com touca ou lenço limpo.
  • Máscara ou lenço na boca, evitando falar, espirrar ou tossir durante a ordenha.
  • Pano úmido limpo e lenços de papel à mão.
  • Mãos e antebraços bem lavados e secos com toalha limpa ou de papel. Não é preciso lavar os seios a cada ordenha.
  • Um lugar tranquilo e uma posição confortável, sentada ou em pé.

Como fazer a ordenha manual, passo a passo?

Diagrama em três etapas: dedos em C na borda da aréola, pressão suave em direção ao tórax e movimento de pressionar e soltar
Posicione os dedos na borda da aréola, pressione suavemente em direção ao tórax e repita o ciclo de pressionar e soltar. O movimento não deve doer.

A sequência abaixo resume a técnica do Caderno de Atenção Básica nº 23. Nas primeiras vezes ela parece lenta. Com a prática, o movimento fica natural.

  1. Massageie delicadamente a mama com movimentos circulares, da base em direção à aréola, sem força.
  2. Relaxe. Segundo o Ministério da Saúde, pensar no bebê pode ajudar o leite a sair.
  3. Incline o tronco para a frente, curvando o tórax sobre o abdômen, para facilitar a saída do leite.
  4. Posicione os dedos em forma de "C": polegar na aréola, acima do mamilo, e indicador abaixo do mamilo, na transição entre a aréola e a mama, em oposição ao polegar. Os outros dedos sustentam o seio.
  5. Pressione suavemente o polegar e o indicador um em direção ao outro e levemente para dentro, em direção ao tórax. Evite apertar demais, porque isso pode bloquear os ductos.
  6. Pressione e solte, pressione e solte. No começo o leite pode não sair. Depois de algumas repetições, começa a pingar e pode sair em jatos.
  7. Despreze os primeiros jatos. Isso melhora a qualidade do leite, porque reduz os contaminantes.[1]
  8. Mude a posição dos dedos ao redor da aréola para retirar leite de todas as áreas.
  9. Troque de mama quando o fluxo diminuir e repita a massagem e o ciclo algumas vezes.

Se a técnica estiver correta, a manobra não deve doer. Se doer, pare, reveja a posição dos dedos na aréola e diminua a força.

Quanto tempo leva?

Segundo o Ministério da Saúde, ordenhar adequadamente leva mais ou menos 20 a 30 minutos em cada mama, especialmente nos primeiros dias, quando a quantidade produzida ainda é pequena.[1] Não se assuste com poucos mililitros no começo: o colostro dos primeiros dias vem mesmo em pequena quantidade.

Dá para ordenhar as duas mamas ao mesmo tempo?

Dá. O Caderno de Atenção Básica descreve a ordenha simultânea dos dois seios, em um único vasilhame de boca larga ou em dois, um embaixo de cada mama. Também é possível usar as duas mãos na mesma mama (técnica bimanual) ou a mão esquerda na mama esquerda e a direita na direita.[1]

Para que serve a ordenha manual?

O serviço de saúde britânico (NHS) lista vários motivos para tirar leite: precisar ficar longe do bebê, mamas muito cheias, bebê que não consegue pegar ou sugar bem e vontade de aumentar a produção.[2] A vantagem da ordenha com as mãos, segundo o mesmo material, é poder tirar leite sem precisar de bomba nem de tomada.[2]

No Brasil, o Caderno de Atenção Básica nº 23, do Ministério da Saúde, recomenda a ordenha em situações bem concretas:

  • Bebê que não suga ou tem sucção fraca: a mãe deve estimular a mama regularmente, no mínimo cinco vezes ao dia, por ordenha manual ou bomba, para garantir a produção de leite.[1]
  • Mamilo plano ou invertido: ordenhar enquanto o bebê não suga de forma eficaz ajuda a manter a produção e deixa a mama macia, o que facilita a pega.[1]
  • Volta ao trabalho: praticar a ordenha, de preferência manual, e começar o estoque cerca de 15 dias antes do retorno.[1]

Nos primeiros dias depois do parto, a ordenha manual tem uma vantagem extra. A Academy of Breastfeeding Medicine (ABM) observa que, nesse período, a ordenha com as mãos pode render volumes maiores do que a bomba e pode aumentar a produção total.[3] E quando o bebê precisa de complemento, o leite da própria mãe é a primeira escolha.[3]

Quantas vezes por dia devo ordenhar?

Depende do motivo da ordenha, e mais nem sempre é melhor. A produção responde à retirada de leite, então o número de ordenhas é uma decisão que mexe com o seu corpo.

  • Bebê que ainda não mama no peito ou suga pouco: o Ministério da Saúde orienta estimular a mama no mínimo cinco vezes ao dia, por ordenha manual ou bomba, para garantir a produção.
  • Volta ao trabalho: durante as horas longe do bebê, a orientação é retirar o leite e guardá-lo, oferecendo no mesmo dia, no dia seguinte, ou congelando.
  • Bebê que mama bem no peito e você quer só um estoque: poucas ordenhas extras costumam bastar. A Academy of Breastfeeding Medicine alerta que ordenhar muito além do que o bebê precisa, junto com a amamentação, é uma das causas de excesso de produção de leite, que traz mama cheia demais, ductos obstruídos e risco de mastite.[5]

Se você não sabe qual ritmo faz sentido para o seu caso, vale combinar um plano com uma profissional, olhando a idade do bebê, como ele mama e para que você precisa do leite guardado.

Quais erros mais atrapalham a ordenha?

  • Colocar os dedos no mamilo. Na técnica descrita pelo Ministério da Saúde, o polegar e o indicador ficam na aréola, acima e abaixo do mamilo, e não sobre o bico.
  • Esfregar em vez de pressionar. O movimento descrito é pressionar e soltar, num ritmo, sem esfregar a pele.
  • Usar força demais. Pressão excessiva machuca e pode bloquear os ductos.
  • Massagem profunda e vigorosa. A Academy of Breastfeeding Medicine alerta que massagear a glândula com força causa lesão nos pequenos vasos e é fator de risco para complicações.[4] A massagem antes da ordenha é leve.
  • Ordenhar para "esvaziar" quando a mama está cheia demais. Retirar mais leite aumenta a produção.[4] Em mama muito cheia, a orientação é tirar só pequenos volumes, para conforto ou para amolecer a aréola antes da mamada.

Quer ajuda com isso em casa?

A Dra. Lucia atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo, e online para todo o Brasil.

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Ordenha manual ou bombinha: qual escolher?

Não existe resposta única. As duas formas funcionam, e muitas mães usam as duas em momentos diferentes.

SituaçãoOrdenha manualBomba de extração
Primeiros dias após o partoPode render mais que a bomba e ajudar a produção (ABM)Útil se a mãe e o bebê estão separados, conforme orientação da equipe
Aliviar mama cheia antes da mamadaPrática para tirar só um pouco e amolecer a aréolaFácil passar do ponto e estimular mais produção
Estoque diário para o trabalhoFunciona, mas exige tempo e práticaPrática para quem ordenha várias vezes ao dia; o tipo de bomba faz diferença
Custo e estruturaNão precisa de equipamento nem de tomadaExige aparelho, peças do tamanho certo e limpeza

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Se você está pensando em comprar uma bomba, o comparativo de tipos de bombinhas de extração ajuda a escolher.

Como guardar o leite ordenhado?

No Brasil, a referência é o Ministério da Saúde. O Caderno de Atenção Básica nº 23 orienta:

  • Geladeira: leite cru, não pasteurizado, pode ser conservado por 12 horas.[1]
  • Freezer ou congelador: por até 15 dias.
  • Descongelamento: em banho-maria, fora do fogo.
  • Aquecimento: também em banho-maria fora do fogo, agitando suavemente antes de oferecer, para misturar a gordura.

Você vai encontrar prazos mais longos em materiais de outros países. O NHS, por exemplo, fala em até 8 dias na geladeira a 4 °C ou menos e até 6 meses no freezer a 18 °C negativos ou menos.[2] As recomendações variam conforme o país e as condições de temperatura de cada casa. Para quem está no Brasil, a orientação mais segura é seguir o Ministério da Saúde. Organização do estoque e rotina de ordenha no trabalho estão no guia de amamentação e volta ao trabalho.

Dica prática

Identifique cada frasco com a data e a hora da ordenha e use primeiro o leite mais antigo. Assim fica fácil respeitar os prazos de geladeira e de freezer.

Como oferecer o leite ordenhado ao bebê?

O Ministério da Saúde recomenda oferecer o leite ordenhado de preferência em copo, xícara ou colher, e descreve a técnica do copinho:

  1. Acomode o bebê acordado e tranquilo no colo, sentado ou semi-sentado.
  2. Encoste a borda do copo no lábio inferior e deixe o leite tocar o lábio.
  3. O bebê faz movimentos de lambida e engole. Não despeje o leite na boca dele.[1]

Se o bebê precisa de complemento enquanto aprende a mamar, há também a translactação, em que ele recebe o leite por uma sonda enquanto suga o peito. As opções estão no guia sobre translactação e copinho.

Quando procurar atendimento médico

Procure atendimento médico se uma área da mama ficar vermelha, quente, inchada e dolorida, principalmente com febre acima de 38 °C, calafrios ou mal-estar.[1] Não tente resolver ordenhando com força.

Como a consultoria ajuda na ordenha?

A ordenha manual é simples de explicar e mais difícil de acertar sozinha nas primeiras vezes. Ver alguém posicionar os dedos e sentir a diferença entre a pressão certa e a que machuca encurta o aprendizado. A Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra (Coren-SP 33946), orienta a ordenha na consultoria domiciliar em São Paulo e região e também na consultoria online. Na consulta pré-natal, a partir de 28 semanas, dá para aprender a técnica antes de o bebê nascer.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a ordenha manual?

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20 a 30 minutos em cada mama, especialmente nos primeiros dias. Com a prática o tempo tende a ficar mais previsível.

Por que jogar fora os primeiros jatos de leite?

O Ministério da Saúde orienta desprezar os primeiros jatos porque isso reduz os contaminantes e melhora a qualidade do leite guardado.

Quanto tempo o leite ordenhado dura na geladeira?

O leite cru dura 12 horas na geladeira e até 15 dias no freezer ou congelador, segundo o Ministério da Saúde.

Ordenha manual dói?

Não deve doer quando a técnica está correta. Se doer, reveja a posição dos dedos na aréola e diminua a força.

É melhor ordenhar com a mão ou com bomba?

Depende da situação: a mão é ótima nos primeiros dias e para aliviar a mama, e a bomba ajuda quem ordenha várias vezes ao dia.

Precisa de ajuda com a amamentação?

A Dra. Lucia Mello vai até você em São Paulo e Grande São Paulo para observar a mamada e montar um plano junto com você. Atendimento online para todo o Brasil.

Falar com a Dra. Lucia

Glossário

Ordenha
Retirada do leite da mama, com as mãos ou com bomba, para oferecer depois ao bebê ou aliviar a mama.
Colostro
Primeiro leite produzido após o parto, em pequena quantidade e muito rico em anticorpos.
Reflexo de ejeção
Liberação do leite estimulada pela ocitocina, que faz o leite sair em jatos durante a mamada ou a ordenha.
Técnica bimanual
Ordenha com as duas mãos na mesma mama.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 23: aleitamento materno e alimentação complementar (2015), itens 8.3.2, 9.1, 9.3 e 9.9Técnica de ordenha passo a passo; 20 a 30 minutos por mama; desprezar primeiros jatos; leite cru 12 horas na geladeira e 15 dias no freezer; descongelar em banho-maria; copinho; estimular a mama 5 vezes ao dia se o bebê não suga; sinais de mastite.
  2. NHS. Expressing breast milkMotivos para ordenhar; ordenha manual sem bomba nem energia; prazos britânicos de 8 dias na geladeira a 4 °C e 6 meses no freezer a 18 °C negativos.
  3. Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol #3: Supplementary feedings in the healthy term breastfed neonate (2017)Leite da própria mãe é a primeira escolha de complemento; ordenha manual pode render mais que a bomba nos primeiros dias e aumentar a produção.
  4. Academy of Breastfeeding Medicine. Protocolo Clínico nº 36: o espectro da mastite (2022, versão em português)Massagem da glândula causa lesão capilar e é fator de risco; aumento da remoção de leite aumenta a produção; ordenhar pequenos volumes para conforto.
  5. Academy of Breastfeeding Medicine. Protocolo Clínico nº 32: manejo da hiperlactação (2020, versão em português)Excesso de ordenha associado à amamentação é causa de hiperlactação autoinduzida; hiperlactação traz dor, ductos obstruídos e mastite.
Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra

Quem escreveu

Dra. Lucia Mello

Enfermeira obstetra · Coren-SP 33946

Dra. Lucia Mello é enfermeira obstetra (Coren-SP 33946), formada pela Unifesp, com mais de 20 anos de experiência e passagens pelo Hospital Albert Einstein e pela Pro Matre Paulista. Atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo e online para todo o Brasil. Conheça a Dra. Lucia.

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Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com o seu médico ou pediatra.