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Gestação9 min de leitura

Como se preparar para amamentar ainda na gestação (e o que não precisa fazer)

Preparar para amamentar na gestação é informação e plano, não exercício no mamilo. Veja o que as fontes recomendam e o que ficou no passado.

Foto da Dra. Lucia Mello

Resposta rápida

Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra

Para se preparar para amamentar na gestação, não é preciso esfregar bucha, esticar o mamilo nem usar conchas: o Ministério da Saúde não recomenda essas práticas. O que ajuda é educação pré-natal sobre pega, posição e primeiros dias, com o parceiro junto, um plano para a maternidade e apoio combinado para depois do parto.

Em resumo
  • Preparar o mamilo com bucha, toalha áspera, exercícios ou conchas não é recomendado e pode ser prejudicial.
  • Educação pré-natal sobre amamentação aumenta início, duração e exclusividade, principalmente com apoio no pós-parto (ABM).
  • Vale envolver o parceiro e a família e combinar pele a pele, alojamento conjunto e evitar chupeta.
  • Mamas que não cresceram na gestação, mamilos planos ou cirurgia mamária pedem plano de apoio antecipado.
  • A consulta pré-natal com a Dra. Lucia Mello pode ser feita a partir de 28 semanas, em casa ou online.
Neste artigo10 tópicos

Preparar-se para amamentar na gestação não tem nada a ver com esfregar bucha no mamilo ou fazer exercícios no seio. A preparação que funciona é de informação e de planejamento: entender como a amamentação começa, saber o que pedir na maternidade e ter apoio combinado para os primeiros dias. Este guia separa o que as fontes recomendam do que ficou no passado e mostra como usar as últimas semanas da gravidez a seu favor.

Precisa preparar o seio para amamentar?

Não. O Ministério da Saúde, no Caderno de Atenção Básica nº 23, afirma que a preparação das mamas para a amamentação, tão difundida no passado, não tem sido recomendada de rotina, porque a gravidez se encarrega disso.[1] O documento é específico sobre o que evitar:

  • Esticar os mamilos com os dedos e esfregá-los com buchas ou toalhas ásperas não são recomendados, porque na maioria das vezes não funcionam, podem ser prejudiciais e podem até induzir o trabalho de parto.[1]
  • Conchas ou sutiãs com orifício central para alongar os mamilos também não são eficazes.[1]

O mesmo texto lembra que a maioria dos mamilos curtos melhora com o avançar da gravidez, sem tratamento, e que os mamilos ganham elasticidade nesse período. A recomendação prática que sobra para o corpo é simples: usar um sutiã adequado, que ajude na sustentação das mamas, que aumentam de volume na gestação.[1]

A Academy of Breastfeeding Medicine (ABM), na revisão de 2024 do protocolo sobre o pré-natal, vai na mesma direção: recomenda evitar a preparação do mamilo, por ser uma intervenção sem base em evidências e potencialmente prejudicial.[2]

O que realmente prepara para amamentar?

Informação de qualidade, dada antes do parto e continuada depois. Segundo a ABM, evidências de várias revisões sistemáticas mostram que mulheres que recebem educação pré-natal sobre amamentação começam a amamentar com mais frequência, amamentam por mais tempo e têm mais chance de amamentar exclusivamente, principalmente quando a educação pré-natal vem junto com apoio no pós-parto.[2]

O mesmo protocolo traz três detalhes que fazem diferença na prática:

  • Educação estruturada e que aumenta a confiança funciona melhor. A ABM chama isso de autoeficácia: a confiança na própria capacidade de amamentar e de atingir os próprios objetivos, que está associada a amamentar por mais tempo e de forma exclusiva.[2]
  • Parceiros e familiares devem participar. A recomendação é envolver o pai ou parceiro e outros membros da família na educação pré-natal.[2]
  • Teleconsulta vale. Videochamada, mensagens e aplicativos estão entre as modalidades citadas para educação sobre amamentação no pré-natal.[2]

Na prática, preparar para amamentar na gestação é chegar ao parto sabendo três coisas: como é uma pega que funciona, o que é normal nos primeiros dias e a quem recorrer quando surgir a primeira dificuldade. Quem chega com essas respostas tende a interpretar melhor o choro, as mamadas frequentes e o inchaço das mamas, em vez de achar que algo deu errado.

Quais temas vale conversar ainda na gravidez?

O Ministério da Saúde lista os assuntos que o acompanhamento pré-natal deve abordar com a gestante. Use como roteiro para as suas conversas e consultas:[1]

  1. Seus planos para a alimentação do bebê.
  2. Experiências anteriores, mitos, crenças, medos e preocupações sobre amamentar.
  3. A importância da amamentação logo após o parto e do alojamento conjunto.
  4. A técnica, ou seja, posicionamento e pega, na prevenção de complicações.
  5. Possíveis dificuldades e como preveni-las, porque muitas mulheres idealizam a amamentação e se frustram com a realidade.
  6. O comportamento normal de um recém-nascido.
  7. Vantagens e desvantagens do uso de chupeta.

A ABM acrescenta temas como os princípios básicos da fisiologia da amamentação, o que esperar do apoio no hospital e no pós-parto imediato e os riscos da suplementação desnecessária.[2]

Quem tem mais chance de precisar de ajuda extra?

Algumas características aumentam a chance de dificuldade no começo e merecem um plano antes do parto. A ABM cita variações anatômicas como mamas tubulares, hipoplásicas ou muito assimétricas, mamilos planos ou invertidos e certos tipos de cirurgia mamária. Também recomenda perguntar sobre cirurgias anteriores, como redução ou implantes, condições de saúde da mãe ou do bebê e medicamentos que possam trazer desafios.[2]

O Ministério da Saúde chama atenção para um sinal específico: se ao longo da gravidez a mulher não notou aumento das mamas, é importante acompanhar de perto o ganho de peso do bebê depois do nascimento, porque pode se tratar de insuficiência de tecido mamário.[1]

Ter um desses fatores não significa que você não vai amamentar. Significa que vale chegar ao parto com a ajuda já combinada. Se a sua dúvida é sobre o formato do mamilo, veja o guia sobre mamilo invertido ou plano.

O que combinar para a maternidade?

A ABM recomenda rever com antecedência as práticas hospitalares que favorecem a amamentação e incentiva os pais a defenderem essas práticas quando elas não forem a rotina do hospital:[2]

  • Contato pele a pele imediato e contínuo depois do nascimento.
  • Alojamento conjunto, com o bebê no quarto com a mãe.
  • Evitar chupetas nos primeiros dias.

O Ministério da Saúde descreve que o recém-nascido colocado sobre o tórax da mãe logo após o nascimento é capaz de ir ao encontro da mama por conta própria, e que essa primeira mamada acontece, em média, aos 40 minutos de vida.[1] Converse com a equipe sobre como isso pode acontecer no seu tipo de parto. Se a previsão é de cesárea, o guia de amamentação após cesárea mostra as posições e os cuidados específicos.

Dica prática

Coloque o plano no papel: o que é importante para você na primeira hora, quem será seu acompanhante e qual o contato de quem vai ajudar na amamentação depois da alta. Na correria do parto, ter isso escrito evita que a decisão fique para depois.

Quer ajuda com isso em casa?

A Dra. Lucia atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo, e online para todo o Brasil.

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O que esperar dos primeiros dias, para não se assustar?

Boa parte da frustração das primeiras semanas vem de expectativas que não batem com o comportamento normal de um recém-nascido. Saber antes ajuda a reconhecer o que é esperado:

  • Mamadas frequentes e sem horário. O Ministério da Saúde recomenda amamentar em livre demanda e explica que, em geral, um bebê em aleitamento exclusivo mama de 8 a 12 vezes ao dia. Muitas mães interpretam isso como fome ou leite fraco, o que pode levar a complementos desnecessários.[1]
  • Pouco volume no começo. Nos primeiros dias, o bebê recebe colostro em pequenas quantidades. A Academy of Breastfeeding Medicine registra ingestões médias de 2 a 10 mL por mamada nas primeiras 24 horas, aumentando nos dias seguintes.[3]
  • A "descida do leite". Ela costuma acontecer até o terceiro ou quarto dia após o parto.[1] Um certo inchaço das mamas nessa fase é normal e mostra que o leite está descendo; mama muito distendida, dura e dolorida já pede ajuda.
  • Dia e noite trocados. O Ministério da Saúde explica que muitos recém-nascidos mantêm por alguns dias o ritmo que tinham no útero e levam um tempo para se adaptar ao ciclo de dia e noite.[1]
  • Choro nem sempre é fome. Há muitas razões para o choro, incluindo a adaptação à vida fora do útero, e na maioria das vezes o bebê se acalma no colo ou no peito.[1]

Levar essas informações para a maternidade, e compartilhá-las com quem vai estar em casa com você, reduz a chance de uma dúvida comum virar motivo para desistir.

Mitos da gestação: o que dizem as fontes?

Crença comumO que dizem as fontes
"Esfregar bucha no bico prepara para amamentar"Não é recomendado: não funciona na maioria das vezes, pode machucar e pode induzir o trabalho de parto (Ministério da Saúde)
"Tem que puxar o mamilo para ele sair"Esticar o mamilo na gravidez não é recomendado; a intervenção após o nascimento é mais efetiva (Ministério da Saúde) e a ABM desaconselha a preparação do mamilo
"Concha de silicone na gravidez corrige o bico"Conchas e sutiãs para alongar o mamilo não são eficazes (Ministério da Saúde)
"Seio pequeno produz pouco leite"O tamanho da mama não tem relação com a produção; mamas pequenas podem precisar de mamadas mais frequentes (Ministério da Saúde)
"Amamentar é instintivo, não precisa aprender"Educação pré-natal sobre amamentação aumenta início, duração e exclusividade da amamentação (ABM)

Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Como é a consulta pré-natal de amamentação com a Dra. Lucia Mello?

A Dra. Lucia Mello é enfermeira obstetra (Coren-SP 33946). A consultoria pré-natal individual pode ser agendada a partir de 28 semanas de gestação, em casa (São Paulo e Grande São Paulo) ou online, para todo o Brasil, com espaço para as dúvidas da família.

Nessa conversa, entram os temas que preparam de verdade:

  • o que esperar dos primeiros dias de amamentação;
  • pega e posicionamento, explicados antes de o bebê chegar;
  • como funciona a produção de leite;
  • técnica de ordenha manual;
  • a sua história, seus medos e o que você quer para a sua amamentação.

O parceiro ou outra pessoa da rede de apoio pode participar, como recomenda a ABM. E, como a educação pré-natal funciona melhor quando continua depois do parto, a mesma profissional pode acompanhar as primeiras mamadas em casa, se você precisar.

Checklist das últimas semanas

  • Sutiã confortável, que sustente bem as mamas.
  • Roteiro de temas conversado no pré-natal, incluindo a consulta com o pediatra que vai acompanhar o bebê.
  • Plano para a primeira hora e para o alojamento conjunto, conversado com a equipe da maternidade.
  • Contato salvo de quem vai ajudar na amamentação depois da alta.
  • Endereço e telefone do banco de leite humano mais próximo, que também orienta mães que amamentam.[4]
  • Rede de apoio combinada para as tarefas da casa nas primeiras semanas, como recomenda o Ministério da Saúde ao falar da divisão de tarefas com o companheiro e a família.
  • Lista das suas dúvidas, para levar à consulta pré-natal de amamentação.

Quando procurar atendimento médico

Na gestação, dor, nódulo, vermelhidão, secreção com sangue ou qualquer alteração nova na mama devem ser avaliados pelo seu obstetra. A consulta de amamentação não substitui o pré-natal.

Perguntas frequentes

Preciso passar bucha no mamilo para amamentar?

Não. O Ministério da Saúde não recomenda esfregar o mamilo com bucha ou toalha áspera, porque não funciona na maioria das vezes, pode machucar e pode induzir o trabalho de parto.

Quando fazer a consulta de amamentação na gravidez?

A consultoria pré-natal da Dra. Lucia Mello pode ser agendada a partir de 28 semanas de gestação. Ela é feita em casa, em São Paulo e região, ou online.

Seio pequeno produz menos leite?

Não. O tamanho da mama não tem relação com a produção, embora mamas menores possam precisar de mamadas mais frequentes.

O parceiro deve participar da preparação?

Sim, a Academy of Breastfeeding Medicine recomenda envolver o pai ou parceiro e a família na educação pré-natal sobre amamentação.

Quer chegar ao parto com o plano de amamentação pronto?

A consulta pré-natal da Dra. Lucia Mello pode ser agendada a partir de 28 semanas de gestação, em casa ou online.

Agendar consulta pré-natal

Glossário

Educação pré-natal
Orientação estruturada sobre amamentação dada durante a gestação, em consultas, grupos ou à distância.
Autoeficácia
Confiança da mãe na própria capacidade de amamentar e de atingir os seus objetivos de amamentação.
Alojamento conjunto
Prática em que o bebê fica no mesmo quarto que a mãe na maternidade, desde o nascimento.
Contato pele a pele
Bebê colocado sem roupa sobre o peito da mãe logo após o nascimento, favorecendo a primeira mamada.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 23: aleitamento materno e alimentação complementar (2015), itens 8.1, 8.2 e 8.2.2Preparação das mamas não recomendada; buchas, esticar mamilos e conchas; temas do pré-natal; sutiã; mamas que não cresceram e insuficiência de tecido mamário; primeira mamada em média aos 40 minutos; tamanho da mama e produção. Descida do leite até o 3º ou 4º dia; ingurgitamento fisiológico; 8 a 12 mamadas por dia; recém-nascido troca dia pela noite; choro.
  2. Academy of Breastfeeding Medicine. Protocolo Clínico nº 19: promoção do aleitamento materno no período pré-natal (revisão 2024, versão em português)Educação pré-natal aumenta início, duração e exclusividade; autoeficácia; envolver parceiros; teleconsulta; fatores de risco anatômicos; evitar preparação do mamilo; pele a pele, alojamento conjunto e evitar chupetas.
  3. Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol #3: Supplementary feedings in the healthy term breastfed neonate (2017)Ingestão média de colostro de 2 a 10 mL por mamada nas primeiras 24 horas, aumentando nos dias seguintes (tabela 2).
  4. Ministério da Saúde. Doação de leiteBancos de Leite Humano realizam atendimento de orientação e apoio à amamentação.
Dra. Lucia Mello, enfermeira obstetra

Quem escreveu

Dra. Lucia Mello

Enfermeira obstetra · Coren-SP 33946

Dra. Lucia Mello é enfermeira obstetra (Coren-SP 33946), formada pela Unifesp, com mais de 20 anos de experiência e passagens pelo Hospital Albert Einstein e pela Pro Matre Paulista. Atende em domicílio em São Paulo e Grande São Paulo e online para todo o Brasil. Conheça a Dra. Lucia.

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Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com o seu médico ou pediatra.